Combustão, Híbrido ou Elétrico: Que Carro Escolher em 2026?

published on 19 January 2026

Nos últimos anos, o mercado automóvel em Portugal mudou de forma profunda. Os carros elétricos já representam cerca de um quinto das vendas de carros novos, a rede de carregamento cobre praticamente todo o território nacional e a legislação europeia apertou as regras ambientais, fiscais e urbanas. Ao mesmo tempo, os híbridos multiplicaram-se e os motores a gasóleo perderam relevância, sobretudo em contexto urbano e empresarial.

Em 2026, escolher entre combustão, híbrido ou elétrico deixou de ser uma decisão simples — e uma escolha errada pode significar pagar mais impostos, gastar mais por quilómetro ou perder valor na revenda.

Este artigo foi criado para o ajudar a decidir com base no seu perfil de utilização do carro em Portugal. No final, ficará claro:

  • Ainda faz sentido um carro a combustão?
  • Quando pode um híbrido (especialmente plug-in) ser mais vantajoso?
  • Em que cenários um elétrico é claramente a melhor opção — incluindo na importação de usados da UE, onde as diferenças de preço são muitas vezes decisivas.



MERCADO AUTOMÓVEL EM PORTUGAL EM 2026: DADOS E TENDÊNCIAS

Os dados mais recentes confirmam que a eletrificação deixou de ser marginal. Em Portugal, os veículos 100% elétricos já representam cerca de 22% das vendas de carros novos, com crescimentos anuais próximos dos 30% face ao ano anterior, segundo dados da ACP e da ACAP

Se juntarmos híbridos e elétricos, os chamados veículos “eletrificados” são hoje o principal motor de crescimento do mercado automóvel, enquanto o diesel perde peso de forma consistente, sobretudo em contexto urbano e empresarial.

A infraestrutura acompanhou esta evolução. De acordo com dados oficiais da MOBI.E, Portugal ultrapassou as 23.000 tomadas de carregamento público, distribuídas por mais de 11.000 postos, com cobertura em 307 dos 308 municípios. Em 2025 registaram-se milhões de carregamentos, com um crescimento superior a 50% no número de utilizadores ativos.

Isto não significa que o carro elétrico seja ideal para todos — mas significa que já não é uma aposta arriscada ou experimental, sendo hoje uma solução madura para muitos perfis de utilização em Portugal.





COMBUSTÃO VS HÍBRIDO VS ELÉTRICO: CUSTOS REAIS, UTILIZAÇÃO E IMPOSTOS

Carros a Gasolina e Gasóleo: Vantagens e Limitações

Os carros de combustão continuam a oferecer vantagens objetivas: autonomia elevada em viagem, reabastecimento rápido e rede de postos universal. O preço inicial de compra, sobretudo no mercado usado ou na importação, tende a ser mais baixo do que o de um elétrico equivalente.

Ainda assim, em 2026 é impossível ignorar os contras. Os custos por 100km são significativamente superiores aos de um elétrico, a manutenção é mais frequente e a fiscalidade portuguesa penaliza emissões elevadas através do ISV e do IUC.

Além disso, cidades como Lisboa já aplicam restrições a determinados diesel mais antigos, e a tendência europeia aponta para zonas de emissões reduzidas cada vez mais comuns, o que afeta diretamente a liquidez e o valor futuro destes veículos.


Carros híbridos (HEV): Eficiência Urbana Sem Necessidade de Carregamento

Os híbridos convencionais (HEV) combinam um motor térmico com um pequeno sistema elétrico que se recarrega em andamento. Em cidade e trânsito pára-arranca, conseguem consumos reais bastante baixos, muitas vezes na ordem dos 4–5 L/100 km, sem depender de tomadas.

O limite está fora do ambiente urbano: como a bateria é pequena, o ganho em autoestrada nem sempre é significativo face a um bom carro moderno a gasolina. Em termos fiscais, os HEV simples também não beneficiam dos incentivos mais fortes, o que reduz o seu apelo para empresas e frotas.


Carros Híbridos Plug-in (PHEV): Vantagens e Contrapartidas

Em 2026, alguns híbridos plug-in mais recentes já se aproximam ou superam os 150km de autonomia elétrica em ciclo WLTP, embora estes valores se apliquem sobretudo a modelos específicos e em condições ideais. Na utilização real, a maioria dos PHEV apresenta autonomias elétricas mais baixas, mas ainda suficientes para cobrir os trajetos diários de muitos utilizadores.

A vantagem dos PHEV depende quase totalmente do perfil de utilização. Quando são carregados com frequência e usados sobretudo em percursos curtos, conseguem reduzir de forma significativa o consumo de combustível e beneficiar, em certos casos, de alguma vantagem fiscal.

Quando não são carregados, o cenário inverte-se: o veículo passa a circular maioritariamente a combustão, com consumos mais elevados devido ao peso adicional da bateria, perdendo grande parte do benefício económico e ambiental.


Carros Elétricos: Custos e Utilização Real

Os carros 100% elétricos destacam-se sobretudo nos custos de utilização, especialmente quando existe carregamento regular em casa, em horários de tarifa reduzida, onde a eletricidade pode ser claramente mais barata do que os combustíveis fósseis.

Além disso, a ERSE apresentou para 2026 uma proposta de redução das tarifas da rede de mobilidade elétrica (tarifas EGME) — reduzindo o custo por 100km face a 2025.

A manutenção é também mais simples, sem óleo de motor, embraiagem, caixa de velocidades tradicional ou sistema de escape. Fiscalmente, os elétricos continuam a ser os mais favorecidos, com isenção de ISV e IUC e benefícios adicionais para empresas.

Em contrapartida, exigem algum planeamento: idealmente um ponto de carregamento em casa ou no trabalho e atenção à autonomia em autoestrada.





QUANTO CUSTA REALMENTE CADA OPÇÃO? CUSTOS TOTAIS A MÉDIO PRAZO

Como em qualquer análise económica, os valores apresentados devem ser lidos como ordens de grandeza, dependentes do perfil de utilização, preços da energia, fiscalidade em vigor e modelo concreto do veículo.

O erro mais comum continua a ser olhar apenas para o preço de compra. O que interessa é o custo total de propriedade (TCO).

Em perfis de utilização típicos, na ordem dos 15.000 a 25.000km/ano, as simulações indicam que um carro elétrico pode representar poupanças anuais de várias centenas de euros, que em muitos cenários se aproximam ou ultrapassam os 1.000€ por ano face a um diesel equivalente, sobretudo quando existe carregamento doméstico.

Os híbridos plug-in podem aproximar-se dos elétricos em custo por quilómetro quando são carregados com disciplina. Caso contrário, perdem grande parte da vantagem. Já os carros a combustão mantêm custos mais elevados e imprevisíveis, fortemente dependentes do preço dos combustíveis.





FISCALIDADE E INCENTIVOS EM PORTUGAL (2025–2026)

Em Portugal, os veículos 100% elétricos estão isentos de ISV e IUC, o que os torna especialmente vantajosos na importação de usados, sobretudo em segmentos médios e superiores. Para empresas, juntam-se ainda vantagens em IVA dedutível (dentro dos limites legais) e uma tributação autónoma mais favorável.

Os híbridos plug-in podem ter reduções relevantes de ISV, mas apenas se cumprirem requisitos específicos de emissões e autonomia elétrica, que variam consoante o ano fiscal. Por isso, é essencial confirmar a homologação e o regime em vigor no momento da importação.

A data da primeira matrícula é decisiva. Em alguns casos permite aceder a benefícios fiscais, noutros conduz à tributação normal. Um erro de enquadramento pode eliminar grande parte da poupança esperada, sobretudo em híbridos plug-in usados.





IMPACTO AMBIENTAL E FUTURO DOS CARROS A COMBUSTÃO, HÍBRIDOS E ELÉTRICOS

Estudos de análise do ciclo de vida indicam que, no contexto europeu atual, os carros 100% elétricos emitem significativamente menos CO₂ ao longo da sua vida útil em dezenas de pontos percentuais face a veículos a combustão — frequentemente na ordem dos 50% a 70%, dependendo do mix energético, do modelo e do padrão de utilização.

Do ponto de vista regulatório, a União Europeia mantém metas exigentes de redução de emissões para o período 2025–2029, pressionando fabricantes e mercados a acelerar a eletrificação. Embora o debate político em torno de 2035 tenha introduzido ajustes no discurso sobre a eliminação total da combustão, a trajetória é clara: mais eletrificação, regras ambientais mais apertadas e restrições crescentes aos motores térmicos em contexto urbano.





FIABILIDADE, BATERIAS E UTILIZAÇÃO REAL

Dados de utilização real indicam que as baterias dos carros elétricos apresentam, em média, taxas de degradação anuais na ordem dos 1–2%, dependendo do modelo, da química da bateria e dos padrões de carregamento, o que sugere vidas úteis longas, frequentemente superiores a 15 anos.

Segundo as estatísticas do ADAC, os carros elétricos mais recentes registam menos avarias do que veículos a combustão da mesma idade, embora o próprio ADAC sublinhe que os dados ainda se concentram em veículos relativamente novos.

Na utilização diária, as autonomias reais variam consoante o modelo e o contexto, mas a maioria dos elétricos atuais cobre sem dificuldade as necessidades diárias da maioria dos condutores, tornando o carregamento doméstico uma rotina simples.





QUE TIPO DE CARRO FAZ MAIS SENTIDO PARA SI EM 2026?

  • Cidade, poucos quilómetros, possibilidade de carregar em casa: elétrico
  • Muitos quilómetros, sobretudo urbanos ou com boa rede de carregamento: elétrico
  • Sem possibilidade de carregar: híbrido convencional ou combustão moderna
  • Empresas e frotas urbanas: elétrico na maioria dos cenários
  • Importação de usados: elétricos e PHEV podem oferecer excelente custo-benefício, se forem bem avaliados





CONCLUSÃO: A MELHOR ESCOLHA EM 2026 DEPENDE DO SEU PERFIL DE UTILIZAÇÃO

Em 2026, a escolha entre combustão, híbrido ou elétrico deixou de ser ideológica e passou a ser estritamente contextual. O que determina a melhor opção não é a tecnologia em si, mas a forma como o veículo será usado, os custos reais ao longo do tempo e o enquadramento fiscal aplicável a cada caso.

Com a fiscalidade a mudar, os incentivos a serem revistos e o mercado de usados elétricos e híbridos a tornar-se mais complexo, decidir apenas com base em tendências ou opiniões genéricas é um erro comum — e caro.

Neste contexto, o acompanhamento profissional pode ser um fator decisivo, não para impor uma escolha, mas para ajudar a interpretar dados, antecipar custos reais e evitar decisões baseadas em pressupostos errados. Quando a decisão é informada e adaptada ao uso concreto do veículo, o risco de arrependimento a médio prazo diminui significativamente.








PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE A MOTORIZAÇÃO CERTA PARA CARROS EM PORTUGAL

1. Em 2026, ainda compensa comprar um carro a combustão em Portugal?

Sim, em alguns perfis específicos. Os carros a combustão continuam a fazer sentido para quem percorre muitos quilómetros em autoestrada, precisa de autonomia elevada e não tem possibilidade de carregamento elétrico.


2. Os carros elétricos já são uma opção segura em Portugal ou ainda são arriscados?

Sim, são uma opção segura. Portugal tem uma infraestrutura de carregamento madura, com mais de 23.000 pontos públicos e uma adoção consolidada destes veículos.


3. Um híbrido convencional (HEV) consome mesmo menos em cidade?

Sim. Os híbridos convencionais apresentam consumos reais baixos em ambiente urbano, graças à recuperação de energia em travagens e ao uso frequente do motor elétrico em baixas velocidades.


4. Os híbridos plug-in (PHEV) compensam se não forem carregados?

Não. Sem carregamentos regulares, funcionam sobretudo a combustão, com consumos mais elevados devido ao peso da bateria, perdendo as vantagens económicas e ambientais que justificam um PHEV.


5. É verdade que alguns híbridos plug-in já têm mais de 100km de autonomia elétrica?

Sim, em alguns modelos. Alguns PHEV já anunciam mais de 100km em ciclo WLTP, mas esses valores são de homologação; na utilização real, a autonomia é normalmente inferior, embora suficiente para muitos percursos diários.


6. Quanto se pode poupar por ano com um carro elétrico face a um diesel?

Depende do perfil de uso. Em utilizações típicas de 15.000 a 25.000km/ano, a poupança pode chegar a várias centenas de euros, podendo aproximar-se de 1.000€ por ano, sobretudo com carregamento doméstico em tarifários reduzidos.


7. Os carros elétricos continuam isentos de ISV e IUC em Portugal?

Sim. Em 2025–2026, os veículos 100% elétricos mantêm isenção total de ISV e IUC, sendo especialmente vantajosos na importação de usados.


8. A data da primeira matrícula influencia os impostos na importação de híbridos plug-in?

Sim, de forma decisiva. A data da primeira matrícula e a homologação determinam o acesso a reduções de ISV; um enquadramento incorreto pode eliminar a poupança esperada, tornando essencial a validação fiscal na importação.


9. Os carros elétricos poluem menos ao longo da sua vida útil?

Sim. Estudos de ciclo de vida indicam que, no contexto europeu, os carros elétricos emitem 50% a 70% menos CO₂ ao longo da vida útil face aos veículos a combustão, dependendo do mix energético e do uso real.


10. As baterias dos carros elétricos degradam-se rapidamente?

Não. A degradação média anual ronda 1–2%, variando consoante o modelo e os hábitos de carregamento. Dados da ADAC indicam ainda que os elétricos recentes têm menos avarias do que veículos a combustão equivalentes.










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